by Lusoinfo

Ontem assinalou-se o Dia Internacional da Literacia. No mesmo dia, foram divulgados os resultados do PISA 2025, que voltam a colocar a leitura no centro da discussão sobre a educação em Portugal.

Aos 15 anos, os alunos portugueses obtiveram 462 pontos em leitura. São menos 15 pontos do que em 2022 e menos 36 do que em 2015, quando Portugal atingiu 498 pontos. O resultado de 2025 aproxima-se assim dos níveis registados no início da participação portuguesa no PISA.

É um sinal de alerta.

Mas é também uma oportunidade para olhar para aquilo que acontece muito antes dos 15 anos.

A leitura começa muito antes de ser avaliada

O PISA avalia competências de leitura aos 15 anos. Mas as bases que permitem a uma criança tornar-se uma leitora competente começam a construir-se muito mais cedo.

Ainda antes da entrada no 1.º ciclo, experiências ricas de linguagem oral, contacto com livros, desenvolvimento do vocabulário e consciência dos sons da fala ajudam a preparar o caminho para a aprendizagem da leitura e da escrita.

No 1.º ciclo, estas bases ganham uma nova dimensão. A criança aprende a relacionar sons e letras, a descodificar palavras, a ganhar fluência e, progressivamente, a utilizar a leitura para compreender, aprender e pensar.

A investigação na área da literacia tem mostrado que as competências desenvolvidas nos primeiros anos estão associadas ao percurso posterior de aprendizagem da leitura. Por isso, identificar dificuldades cedo e intervir atempadamente pode fazer a diferença.

Não se trata de antecipar aprendizagens ou transformar os primeiros anos numa preparação para avaliações futuras. Trata-se de garantir que cada criança constrói, no momento certo, as bases de que precisa para continuar a aprender.

Primeiro, aprender a ler. Depois, ler para aprender.

Uma das competências fundamentais nesta fase é a fluência de leitura.

Ler com precisão, velocidade adequada e expressividade não é apenas uma questão de ritmo. À medida que a descodificação das palavras se torna mais automática, o aluno consegue libertar recursos cognitivos para aquilo que realmente importa: compreender o texto, estabelecer relações, retirar conclusões e construir significado.

Quando a descodificação continua a exigir demasiado esforço, a compreensão pode ficar comprometida.

É por isso que o acompanhamento precoce é tão importante.

Uma dificuldade que não é identificada e trabalhada atempadamente pode tornar mais exigente o desenvolvimento posterior de competências de leitura e compreensão.

Por isso, acompanhar a evolução de cada aluno não deve ser um momento isolado, mas um processo contínuo ao longo do 1.º ciclo.

O que podemos fazer?

Se queremos melhorar a literacia, não basta olhar para os resultados aos 15 anos. É fundamental reforçar as bases desde os primeiros anos e acompanhar a sua evolução.

Isso passa por:

  • Identificar precocemente as dificuldades, através de momentos de rastreio que permitam perceber, desde o início do 1.º ano, quais os alunos que necessitam de maior acompanhamento.
  • Promover o contacto regular com livros e a leitura em voz alta, desde o pré-escolar e tanto na escola como em contexto familiar.
  • Desenvolver competências fundamentais, como a consciência fonológica, o vocabulário, a linguagem oral, a descodificação, a fluência e a compreensão.
  • Monitorizar a progressão das aprendizagens, através de momentos regulares de avaliação que permitam perceber o que está consolidado e onde é necessária uma intervenção adicional.
  • Ajustar as estratégias pedagógicas às necessidades de cada aluno, reconhecendo que nem todas as crianças aprendem ao mesmo ritmo ou da mesma forma.

A intervenção precoce não significa fazer mais depressa.

Significa agir no momento certo.

Da identificação à intervenção

É neste contexto que os recursos educativos podem assumir um papel importante no apoio ao trabalho do professor.

Na Lusoinfo, temos vindo a trabalhar nesta direção com o Ensinar e Aprender Português (EAP), um recurso educativo digital pensado para o 1.º ciclo e orientado para o desenvolvimento e acompanhamento das aprendizagens na área do Português.

O EAP combina diferentes ferramentas que apoiam o professor ao longo do percurso:

  • Provas de rastreio, para apoiar a identificação atempada de alunos que possam apresentar dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita;
  • Recursos educativos interativos, incluindo vídeos, atividades multimédia e fichas de trabalho, para ensino, reforço e consolidação das aprendizagens;
  • Provas de monitorização, realizadas ao longo do ano letivo, para acompanhar a evolução dos alunos e apoiar a tomada de decisão pedagógica.

O objetivo não é apenas avaliar.

É transformar a informação da avaliação em conhecimento útil para a intervenção pedagógica.

Identificar. Acompanhar. Intervir. Voltar a avaliar.

Um ciclo de acompanhamento que ajuda o professor a conhecer melhor a evolução de cada aluno e a ajustar a resposta às suas necessidades.

O alerta chega aos 15. A resposta começa muito antes.

Os resultados do PISA aos 15 anos não contam, por si só, toda a história da aprendizagem da leitura.

Mas deixam um alerta que não devemos ignorar.

Portugal passou de 498 pontos em leitura em 2015 para 477 em 2022 e 462 em 2025. É uma descida de 36 pontos numa década.

Estes resultados não permitem atribuir a evolução do desempenho a uma única etapa do percurso escolar. Mas reforçam a importância de olhar para todo esse percurso e, em particular, para as bases que começam a ser construídas nos primeiros anos.

Se queremos que os alunos cheguem à adolescência com competências sólidas para compreender, interpretar e utilizar a informação que leem, precisamos de começar cedo, acompanhar de perto e intervir sempre que necessário.

A literacia constrói-se cedo.

É no pré-escolar que começam a desenvolver-se algumas das bases que sustentam a aprendizagem da leitura. É no 1.º ciclo que muitas dessas competências se consolidam e ganham complexidade. E é ao longo de todo o percurso escolar que precisam de ser acompanhadas e aprofundadas.

Por isso, perante os resultados de 2025, talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas:

“O que está a acontecer aos 15 anos?”

Mas também:

“O que podemos fazer hoje para que, daqui a dez anos, os resultados sejam diferentes?”

Na leitura, como em tantas outras aprendizagens, agir cedo é dar mais tempo para aprender.

Saiba mais sobre o EAP em lusoinfo.com